A China, país em que nos vamos focar neste artigo, quer queiramos quer não, é actualmente das maiores economias de todo o planeta, como tal, vamos entrar um pouco no país e no império que está a ser construído neste recanto asiático.
A China é actualmente considerada a segunda maior economia do mundo por PIB nominal, além de que também é o país com maior poder de aquisição presente em todo o planeta, segundo avança uma estimativa feita pelo FMI durante este ano de 2014, tendo a economia do país, ao longo destes últimos 30 ano, crescido em média 10%.
Economicamente frágil até meados de 1978, nesse ano dá-se a viragem que catapultou a China para a posição onde se encontra hoje, tendo para isso ao longo destes últimos anos reestruturado vários sectores, como é o caso do sector agrícola na década de 80 e o sector industrial em meados de 1990. Desde então, o país tem vindo a tornar-se o centro mundial do da indústria, desempenhando um papel vital no comércio internacional e na economia industrial em todo o mundo, tendo conseguido acordos de comércio livre com diversos países como a Suíça e o Paquistão.
Apesar de ser criticada muitas vezes por práticas comerciais desleais, desde a desvalorização artificial da moeda, roubo de propriedade intelectual, proteccionismo, entre outras, a economia chinesa tem crescido a uma taxa de 7,4 por cento por ano. Para impulsionar ainda mais este crescimento, o Governo chinês já está a planear construir mais redes de transportes, estradas, aeroportos, entre muitas outras novas infra-estruturas.
E não tardará muito para que esta venha a ser a maior economia mundial.
Um factor importante para este crescimento é também o facto de cada vez mais empresas começarem a investir no país. Até à adesão da China à Organização Mundial do Comércio, existiam alguns sectores que haviam sido fechados ao investimento exterior, mas com a adesão essas barreiras foram eliminadas e novas leis e medidas administrativas foram implementadas.
Outra reforma implementada pelo país de forma a atrair mais investidores foi o estabelecimento da Zona de Livre Comércio de Xangai em Setembro de 2013. Zona que abrange cerca de 29 km quadrados e que é utilizada como um campo de testes para reformas económicas e sociais. Basicamente esta é uma zona que fornece aos investidores externos um ambiente favorável a investirem no país em diversos sectores como a agricultura, saúde, finanças, tecnologias da informação, entre muitos outros sectores.
Investimento Chinês no Exterior

Esta é a principal característica do crescimento da economia chinesa, globalização, onde as empresas chinesas procuram fazer investimentos nos mais diversificados países, quer eles sejam desenvolvidos, ou em desenvolvimento. A partir de 2011, as grandes empresas chinesas começaram a investir em empresas promissoras dos EUA, que acabam por oferecer o acesso a conhecimentos especializadas tanto a nível de comercialização como a nível de distribuição.
De acordo com o FMI, o PIB da China em 2013 foi de 9 180 milhões de milhões de dólares, logo atrás dos EUA com cerca de 17 370 milhões de milhões de dólares e muito à frente do Japão que acabou o ano com um PIB de 4,9 milhões de milhões de dólares.
Mas como é que as empresas chinesas entram em mercados internacionais?
Existem duas maneiras, o crescimento orgânico e o M&A, sendo que a maior parte das empresas decidam fazer entrar nos mercados através de M&A’s. Conheça as razões:
- Mais rápido – Esta é a maneira mais rápida de uma empresa se expandir para o exterior, pois através deste método são feitas aquisições e distribuição de talentos e tecnologias;
- Mercado Chinês – Muitas empresas do exterior fazem fusões com empresas chinesas para poder inserir os seus serviços ou produtos no país;
- Acesso a Capital Barato – Empresas que pretendam fazer fusões tendem a receber capital financeiro por parte do governo chinês e por parte de empresas gigantes chinesas. Caso o objectivo seja expandir-se para o exterior, as taxas de juro são bastantes mais baixas;
- Baixo Risco – Caso essa fusão falhe, a empresa tem sempre a segurança de ter a sua própria empresa sediada no seu país, não perdendo assim todo o seu negócio;
- Mão-de-obra Barata – Com estas fusões as empresas podem transferir unidades de trabalho para a China, reduzindo assim os custos com a mão-de-obra, tornando o preço dos produtos mais atractivo.
- Barreira Politica – Em muitos sectores as empresas chinesas enfrentam limitações de quotas e impostos elevados, o que as impede de serem competitivas no exterior;
- Activos Fracos – A crise económica que afectou as empresas ocidentais fez com que muitas dessas empresas perdessem valor de mercado. Sendo esta uma óptima oportunidade para adquirirem esses activos fracos a preço de saldos.
Principais Investimentos Chineses pelo Mundo
- Em 2005, a Lenovo compra a Thinkpad, negócio de PC’s da IBM por um valor a rondar os 1,25 mil milhões de dólares;
- Em 2007, a China PingAn conclui a aquisição da empresa Fortis Insurance International por um valor a rondar os 2,7 mil milhões de dólares;
- Em 2010, a empresa chinesa Geely adquiriu a Volvo por um valor de 1,8 mil milhões de dólares;
- Em 2011, a Hainan Airlines adquiriu 20 por cento da cadeia de hotéis NH Hotels por cerca de 600 milhões de dólares;
- Em 2011, a China Bluestar adquiriu a empresa norueguesa Elkem por 2 mil milhões de dólares;
- Em 2012, a empresa chinesa Sany adquiriu a empresa alemã Putzmeister por cerca de 420 milhões de dólares;
- Também em 2012, a empresa chinesa Wanda adquiriu a AMC Theater por cerca de 2,6 mil milhões de dólares;
- Ainda nesse mesmo ano, a empresa Wanxiang adquiriu a empresa A123 poe cerca de 450 milhões de dólares;
- Em 2012, um fundo de investimento chinês adquiriu 80,1 por cento da International Lease Finance pertencente à AIG por cerca de 5,28 mil milhões de dólares;
- Já em 2013, a empresa Shuanghui adquiriu a empresa Smithfield por um valor de 4,7 mil milhões de dólares;
- Ainda em 2013, a empresa Fuxing adquiriu a empresa France’s Club PA por cerca de 540 milhões de dólares;
- Em 2013, a mesma empresa chinesa adquiriu o One Chase ManhattanPlaza por cerca de 750 mil milhões de dólares;
- Já este ano, a Lenovo adquiriu a Motorola por cerca de 2,9 mil milhões de dólares;
- E para finalizar, também este ano a empresa Wangxiang adquiriu a empresa Fisker por cerca de 150 milhões de dólares.
Alguns Casos de Sucesso
Alibaba Group

Grupo de empresas privadas com sede em Hangzhou, na China, baseia a maior parte dos seus produtos no e-commerce, serviços online, pagamentos online e ainda outros serviços com base na computação na nuvem. Contudo, esta tem sido das empresas chinesas mais activas nestes últimos anos, sendo que apenas este ano a empresa já investiu milhões e milhões de dólares em parcerias e aquisições em todo o mundo.
Xiaomi

Empresa chinesa que se dedica ao desenho, desenvolvimento de venda de Smartphones, aplicações e outros produtos electrónicos, vendendo os seus produtos quase exclusivamente através da Internet.
O seu primeiro Smartphone foi lançado em 2011, tendo ganho uma grande parte da quota de mercado na China, crescimento que fez com que a marca fosse a mais vendida na China em 2013, construindo um Smartphone tão bom como o da concorrência com uma diferença de preço de quase 50 por cento.
Mais recentemente, a empresa foi considerada a terceira maior fabricante de Smartphones a nível mundial.
Baidu

Terceiro maior motor de pesquisa do mundo e o mais utilizado na China, ultrapassando mesmo motores de busca como o Google e o Yahoo. Além de ser uma gingante dos motores de busca, a empresa chinesa tem ainda vários projectos que podem vir a revolucionar o mundo e que podem rivalizar com as grandes empresas de tecnologia a nível mundial como é o caso da Google. Como é o caso de projectos como a criação de um automóvel e de uma bicicleta autónomos, criação de um dispositivo para rivalizar com o Google Glass, entre outros.
Huawei

Multinacional chinesa no sector de redes e equipamentos de telecomunicações, com sede em Shenzhen, esta é a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações em todo o mundo. A empresa tem cerca de 140 mil funcionários, onde cerca de 46% dos mesmos estão envolvidos em pesquisa e desenvolvimento. A Huawei tem institutos em países como a China, EUA, Canadá, Reino Unido, Paquistão, França, Alemanha, Colômbia, Suécia, Irlanda, Índia, Rússia e Turquia.
Actualmente os seus serviços estão implementados em cerca de 140 países e atende 45 das 50 maiores operadoras de telecomunicações do mundo.
Alguns Investimentos Chineses em Portugal

Como podemos ver o investimento chinês está a chegar a todos os cantos do mundo, sendo assim, Portugal não é excepção. Já conhecem alguns dos investimentos chineses no nosso país?
A China está a olhar para Portugal como uma porta de entrada para a Europa e para os países africanos de língua portuguesa e uma vez que o nosso país está com uma politica de privatizações bastante intensa, algumas empresas chinesas decidiram aproveitar.
- Em 2011, a empresa China Three Gorges, investiu cerca de 4 mil milhões de euros numa participação de 21,35 por cento na EDP;
- Em 2012, a empresa State Grid, investiu cerca de 2,7 mil milhões de euros na aquisição de 25 por cento da empresa nacional REN;
- No início deste mesmo ano, a empresa FOSUN, investiu cerca de 387 milhões de euros por cerca de 80 por cento da seguradora Fidelidade;
- E para finalizar, no início deste ano, a mesma empresa chinesa investiu cerca de mil milhões de euros na Multicare e na Cares.
Estas aquisições e parcerias, são tão importantes para as empresas chinesas como para as empresas portuguesas. Para as empresas chinesas são importantes pois ganham novos mercados, enquanto as empresas portuguesas ganham a possibilidade de financiamento em bancos sediados no país asiático.
Outras Informações Curiosas
Outro aspecto muito curioso e serve para demonstrar o poder de um mercado que continua a emergir de dia para dia é o facto de na lista das 50 empresas mais inovadoras do mundo, 10 delas serem empresas de origem asiática, em que grande parte das 10 são mesmo empresas chinesas. Facto que denota a grande capacidade inovadora destas empresas e de um mercado que de dia para dia está a conquistar o mundo.

Em conclusão
Durante anos assistimos ao domínio dos EUA como líder da economia mundial, ou até mesmo a Alemanha como líder da economia Europeia e ao longo destes anos fomos esquecendo um pouco o mercado asiático, mas a verdade, a verdade é que esse mercado e essa economia tem estado em constante movimento e em constante crescimento.
Crescimento que tem vindo a aumentar cada vez mais nestes últimos anos e que está a tornar a China numa das economias mais poderosas em todo o universo, principalmente no mercado económico e no mercado tecnológico.
Estes foram só alguns dos exemplos mais divulgados e mais importantes nestes últimos meses e anos, mas com estes resultados podemos prever que num futuro próximo, a China vai invadir a Europa e o muito provavelmente o mundo, tanto pela sua capacidade económica como também pelas suas capacidades tecnológicas. E dessa forma, vamos assistir à mudança da liderança desses sectores.
Desta forma vamos assistir à mudança do “centro do mundo tecnológico” dos EUA para a China, e uma das razões que nos faz prever isso, é a cidade chinesa de Shenzhen, a cidade mundial da tecnologia.
Bom artigo e com bastantes tópicos interessantes.
Apenas chamo a atenção, que além de tudo, a China é também o maior devedor a nível mundial. Cerca de 30% da dívida das empresas privadas mundial é da China.
Cumps
Exactamente. Obrigado pela informação.
Abraço.