De modo a aumentar a oferta de profissionais em TIC em Portugal, e assim contribuir proativamente para o desenvolvimento da economia digital nacional, 18 entidades públicas e privadas reuniram-se para formar a Coligação Portuguesa para a Empregabilidade Digital. Esta coligação tem como objetivo a curto prazo a elaboração de uma proposta de Estratégia Nacional e Plano de Ação para a Empregabilidade Digital 2015-2020, a submeter aos responsáveis governamentais das áreas da Economia, da Educação e Ciência e do Emprego.
Coordenada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a Coligação Portuguesa para a Empregabilidade Digital será publicamente constituída no próximo dia 29 de abril, através da assinatura de um Memorando de Cooperação entre os parceiros.
Nesta sessão serão apresentados os principais resultados do primeiro estudo sobre o mapeamento da oferta de educação e formação em Tecnologias de Informação, Comunicação e Eletrónica (TIC), realizado pelo Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, com o apoio financeiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

A Estratégia Nacional e Plano de Ação para a Empregabilidade Digital 2015-2020 tem como objetivos reduzir significativamente o défice de profissionais em TIC; criar melhores condições de acesso dos trabalhadores ativos, nos sectores público e privado, à aquisição das competências TIC necessárias à atividade; alavancar o número de empresas que recorrem ao digital e das empresas de base digital, e desenvolver a economia e os mercados digitais, através da internacionalização do sector, da captação de investimento estrangeiro, da atração de centros internacionais para Portugal e na capitalização das infraestruturas e recursos humanos altamente qualificados do País.
A Coligação Portuguesa para a Empregabilidade Digital relaciona- se a nível europeu com a Grand Coalition for Digital Jobs, lançada pela Comissão Europeia em março de 2013. Os princípios que a sistematizam estão inscritos na Davos Declaration on the Grand Coalition for Digital Jobs, de fevereiro de 2014, no âmbito do World Economic Forum. A Grand Coalition for Digital Jobs tem como missão potenciar e facilitar a colaboração entre setores público e privado, comunidades académica e técnica, organizações não-governamentais e sociedade civil para a adoção de medidas que permitam valorizar as oportunidades impares de empregabilidade que o atual contexto das TIC oferece.
é de salutar a iniciativa.
Mas espero que a mesma iniciativa se vá preocupar com o facto de actualmente um licenciado em eng. informática receber o salário mínimo nacional com salário.
Tenho conhecimento de casos de engº de sistemas com quase 10 anos de experiencia, competentes, que por motivos relacionados com toda esta crise (que acredito esteja a virar página), perderam empregos, foram para o fundo de desemprego, e que actualmente os empregadores de uma boa parte desses meus colegas pagam 600EUR liquidos (e são empresas de renome!) .
Parece-me no minimo estranho que ao fim de largos anos de estudos, morosos, difíceis e caros, se receba pouco mais do que uma emprega de limpeza que nem a 4a classe possui (e note-se que não estou a por em causa a classe trabalhadora das empregadas de limpeza,mas uma coisa é certa, não tiveram de investir dinheiro em cursos para aprender a passar uma esfregona) : a emprega de limpeza do meu escritório ganha 7.5EUR/hora, o que lhe resulta no fim do mês em 1300EUR brutos.
Ser-se engº informático a ganhar 600EUR liquidos é no minimo caricáto, e denegre tanto a classe, como a qualidade do serviço prestado, como o próprio empregador, põe em causa os serviços dos clientes (lê-se Estado) e, em ultima análise, a própria Ordem dos Engenheiros, que conivente com as empresas de IT, fecha os olhos e deixa passar esta tragédia!
Mais, espero que esta mesma iniciativa tome precauções no que diz respeito ao excesso de mão de obra num mercado que é altamente competitivo e, como tal, volátil : actualmente fala-se na necessidade de 15.000 técnicos qualificados e engº de IT até 2018.
Quando a bolha especulativa em torno do IT voltar a rebentar (o que não deverá tardar) teremos um cenário pior do que se passou em 1999/2000/2001 com centenas ou milhares de qualificados a irem para o desemprego, a concorrencia de paises asiáticos (China e India) a vender técnicos (na maioria das vezes, sem qualificações ou com péssimos conhecimentos técnicos) a preços ridiculos, e gestores que só se preocupem com os seus beneficios pessoais pondo em causa toda uma hierarquia, empresas e familias.
Resumindo: não basta existirem intenções para criar mais emprego IT, há que criar condições, fiscalizar as empresas “head hunters” que minam o mercado todo (há 5 anos atrás, um outsourcer senior era vendido a 400EUR/dia em média, hoje há empresas de RH a vender abaixo dos 180EUR/dia o mesmo perfil – supostamente), etc…
Concordo plenamente consigo. Também trabalho na área e conheço bem o valor pago. A engenharia em Portugal está de rastos. Ganho tanto como eng. informático como a trabalhar num supermercado a colocar produtos nas prateleiras. Pior do que isso é as universidades e a ordem dos engenheiros virem dizer que há falta de engenheiros em Portugal. Se se tiverem a referir à falta de alunos e profissionais a pagar cotas até concordo. De outra forma é completamente inaceitável. Ainda há pouco tempo vi uma notícia nos “media” de uma agência de recrutamento a queixar-se da falta de engenheiros informáticos e a anunciar que tinha dezenas de vagas para estágio pelo iefp em que os requisitos para as pessoas se candidatarem era serem licenciados e possuírem 2 a 3 anos de experiência profissional. Quando os estágios são orientados para pessoas sem experiência é preciso uma grande lata virem para os jornais pedirem pessoas com experiência para realizarem estágios. Para não bastar, muitas destas empresas vivem à custa de apoios estatais. Para finalizar é preciso não esquecer a pouca incorporação de engenharia nos produtos das empresas portuguesas. Muitos dos engenheiros contratos vão desempenhar funções que nada têm de engenharia. Daí muitos dos comentários de gente ignorante vir dizer que sabe tanto ou mais que um licenciado. Se pusermos um recém licenciado a limpar o chão com uma pessoa que o faz à anos, sim, sabe menos. Enquanto as empresas e os empresários não forem capazes de incorporar o conhecimento das pessoas com formação superior não adianta continuar a formar pessoas, pois constitui um enorme desperdício de dinheiro.