Constituição da Coligação Portuguesa para a Empregabilidade Digital

Estima-se que, em 2020 exista na Europa um défice de 900 000 profissionais para postos de trabalho em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC).

Este défice constitui um grave entrave à recuperação e crescimento económico europeu. Em Portugal, o fosso entre a oferta e a procura é ainda mais marcante, em resultado do elevado nível de desemprego, em particular do emprego jovem, e do pouco recurso às TIC por uma parte significativa do tecido empresarial nacional.


Constituição da Coligação Portuguesa para a Empregabilidade Digital

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2 Respostas

  1. Sergio diz:

    é de salutar a iniciativa.
    Mas espero que a mesma iniciativa se vá preocupar com o facto de actualmente um licenciado em eng. informática receber o salário mínimo nacional com salário.
    Tenho conhecimento de casos de engº de sistemas com quase 10 anos de experiencia, competentes, que por motivos relacionados com toda esta crise (que acredito esteja a virar página), perderam empregos, foram para o fundo de desemprego, e que actualmente os empregadores de uma boa parte desses meus colegas pagam 600EUR liquidos (e são empresas de renome!) .
    Parece-me no minimo estranho que ao fim de largos anos de estudos, morosos, difíceis e caros, se receba pouco mais do que uma emprega de limpeza que nem a 4a classe possui (e note-se que não estou a por em causa a classe trabalhadora das empregadas de limpeza,mas uma coisa é certa, não tiveram de investir dinheiro em cursos para aprender a passar uma esfregona) : a emprega de limpeza do meu escritório ganha 7.5EUR/hora, o que lhe resulta no fim do mês em 1300EUR brutos.
    Ser-se engº informático a ganhar 600EUR liquidos é no minimo caricáto, e denegre tanto a classe, como a qualidade do serviço prestado, como o próprio empregador, põe em causa os serviços dos clientes (lê-se Estado) e, em ultima análise, a própria Ordem dos Engenheiros, que conivente com as empresas de IT, fecha os olhos e deixa passar esta tragédia!

    Mais, espero que esta mesma iniciativa tome precauções no que diz respeito ao excesso de mão de obra num mercado que é altamente competitivo e, como tal, volátil : actualmente fala-se na necessidade de 15.000 técnicos qualificados e engº de IT até 2018.
    Quando a bolha especulativa em torno do IT voltar a rebentar (o que não deverá tardar) teremos um cenário pior do que se passou em 1999/2000/2001 com centenas ou milhares de qualificados a irem para o desemprego, a concorrencia de paises asiáticos (China e India) a vender técnicos (na maioria das vezes, sem qualificações ou com péssimos conhecimentos técnicos) a preços ridiculos, e gestores que só se preocupem com os seus beneficios pessoais pondo em causa toda uma hierarquia, empresas e familias.

    Resumindo: não basta existirem intenções para criar mais emprego IT, há que criar condições, fiscalizar as empresas “head hunters” que minam o mercado todo (há 5 anos atrás, um outsourcer senior era vendido a 400EUR/dia em média, hoje há empresas de RH a vender abaixo dos 180EUR/dia o mesmo perfil – supostamente), etc…

    • André diz:

      Concordo plenamente consigo. Também trabalho na área e conheço bem o valor pago. A engenharia em Portugal está de rastos. Ganho tanto como eng. informático como a trabalhar num supermercado a colocar produtos nas prateleiras. Pior do que isso é as universidades e a ordem dos engenheiros virem dizer que há falta de engenheiros em Portugal. Se se tiverem a referir à falta de alunos e profissionais a pagar cotas até concordo. De outra forma é completamente inaceitável. Ainda há pouco tempo vi uma notícia nos “media” de uma agência de recrutamento a queixar-se da falta de engenheiros informáticos e a anunciar que tinha dezenas de vagas para estágio pelo iefp em que os requisitos para as pessoas se candidatarem era serem licenciados e possuírem 2 a 3 anos de experiência profissional. Quando os estágios são orientados para pessoas sem experiência é preciso uma grande lata virem para os jornais pedirem pessoas com experiência para realizarem estágios. Para não bastar, muitas destas empresas vivem à custa de apoios estatais. Para finalizar é preciso não esquecer a pouca incorporação de engenharia nos produtos das empresas portuguesas. Muitos dos engenheiros contratos vão desempenhar funções que nada têm de engenharia. Daí muitos dos comentários de gente ignorante vir dizer que sabe tanto ou mais que um licenciado. Se pusermos um recém licenciado a limpar o chão com uma pessoa que o faz à anos, sim, sabe menos. Enquanto as empresas e os empresários não forem capazes de incorporar o conhecimento das pessoas com formação superior não adianta continuar a formar pessoas, pois constitui um enorme desperdício de dinheiro.

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