De acordo com o inquérito realizado pela Deco, 40% dos inquiridos sofreu nos últimos 5 anos problemas de segurança (com vírus) e 15% algum tipo de violação da privacidade.
Cerca de 65% dos inquiridos nem sempre minimizam os riscos à espreita. Entre as vítimas de malware, 5% perderam tudo o que tinham no PC, 7% foram vítimas de phishing (tentativa de roubo de informação pessoal) e 5% foram alvo de ransomware (bloqueio do PC em troca de resgate). Fazer backups regulares permite recuperar as pastas e os ficheiros pessoais, mas 39% confessam não ter este hábito. A grande maioria protege os computadores com um antivírus: destes, 81% optam por um programa gratuito da Net. Os restantes pagam, em média, € 58 por ano por um pacote de segurança.
O inquérito contou com 679 participações. Procurou-se saber os problemas frequentes e o que fazem os portugueses para os evitar. Os dados foram recolhidos entre abril e maio, através de um questionário enviado a uma amostra aleatória. As respostas, anónimas, foram ajustadas em função da distribuição da população no que toca à idade, sexo, nível educacional e região.

BIG BROTHER EM AÇÃO
Acesso não autorizado ao e-mail ou à conta da rede social são acontecimentos frequentes entre os jovens, com um quarto dos inquiridos entre 18 e 34 anos a reportar violações da privacidade. Confessam revelar mais vezes a palavra-passe do correio eletrónico ou da rede social a um amigo ou só conhecido.
Em certos casos, esses dados que circulam a seu respeito na Web geraram conflitos com o parceiro ou um familiar. Há também quem reporte ameaças, perseguições ou difamação online, ou ainda situações que os prejudicaram na escola ou no trabalho. Outros estudos estimam que o ciberbullying afeta cerca de um quinto dos jovens de 13 anos.

POUCOS AMIGOS NAS REDES SOCIAIS
A maioria dos inquiridos (87%) é detentora de uma conta numa rede social, quase sempre no Facebook, mas também no Twitter ou no Instagram. Metade confessa usar a rede social de forma contínua ou quase. Não conseguir desligar-se da Net ou do telemóvel e sofrer de problemas de sono, irritabilidade, baixa produtividade, isolamento, ansiedade e depressão são sinais de alarme em termos psicológicos.
Entre os “amigos” do Facebook, mais de metade são pessoas que o utilizador apenas conhece superficialmente (53%) ou que nunca viu cara a cara (30%). Ou seja, só 17% são pessoas mesmo próximas. A taxa de arrependidos e que já teve de eliminar pessoas entre os seguidores ou comentários publicados sobre si na rede é considerável.
Configurar o perfil dos amigos, por grupos, e o nível de privacidade das mensagens ajuda a reduzir o risco de correio indesejável. Mas 22% admitem nunca ter configurado a privacidade da conta e cerca de um quinto optou pelo perfil público. Só 54% disponibilizam a informação a um círculo privado de amigos. Cerca de 60% dos inquiridos afirmam ter agora mais cuidado e pensar bem antes de publicar algo online.
Sete em cada 10 inquiridos encontram dados pessoais online sem terem intenção de os partilhar, como fotos, morada, etc. Cerca de 5% queixaram-se de já terem sido alvo de difamação, ameaças ou perseguições. Não é raro remover pessoas da lista de “amigos” nas redes sociais ou corrigir ou apagar posts (fotos ou comentários).

RECONHECER E-MAILS SUSPEITOS
É fácil identificar um e-mail suspeito: se algo lhe parecer bom demais para ser verdade é quase certo que se trata de um esquema. Desconfie de uma oferta irrecusável enviada por e-mail. Histórias do príncipe da Transilvânia que precisa da sua ajuda para resgatar uma fortuna que altruisticamente quer partilhar consigo, ou do advogado em representação de um falecido tio que nunca conheceu (por coincidência, com o seu apelido), mas que lhe deixou uma fortuna incalculável, não passam de esquemas. Há empresas que se dedicam a esta atividade criminosa pela Internet, mas também por telefone. É a chamada “engenharia social”.
Para evitar contaminações por malware, é vital manter o software atualizado, incluindo o antivírus, firewall, sistema operativo e browser. Sempre que é descoberta uma vulnerabilidade, os fabricantes lançam atualizações que corrigem os problemas (vulgo patches).
Evite aceder às suas contas em computadores públicos ou partilhados com pessoas em quem não confia totalmente.
Defina passwords difíceis. Evite datas de nascimento, matrículas de carros ou nomes de animais de estimação, por exemplo. Escolha uma combinação de letras (maiúsculas e minúsculas), números e carateres especiais. Tal aumenta o nível de segurança. Os gestores de password, não sendo a solução perfeita, garantem um bom compromisso entre segurança e conveniência. Prefira os que dispõem de autenticação com dois fatores. Procure mecanismos de raciocínio, que o ajudem a recordar-se, mas nunca as anote num papel ou documento do Word.
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