Estes dados constam do relatório Network Barometer Report 2014 divulgado pela Dimension Data. Publicado pela primeira vez em 2009, o relatório deste ano foi compilado a partir dos dados tecnológicos recolhidos em 2013 a partir de 288 auditorias, abrangendo 74.000 dispositivos tecnológicos em organizações de todas as dimensões e de todos os sectores da indústria, em 32 países. Adicionalmente, foram recolhidos dados de 91.000 incidentes registados nas redes de clientes que a Dimension Data suporta.
Raoul Tecala, Business Development Director for Networking na Dimension Data refere que, “Ao longo dos últimos anos, temos assistido a um aumento continuado da percentagem de dispositivos antigos e obsoletos, e a suposição convencional era de que o ciclo de actualização de tecnologia estaria iminente. No entanto, a pesquisa revela que as organizações estão a utilizar os activos de rede por mais tempo do que o esperado.”
Tecala refere que há três forças principais por detrás desta tendência. Em primeiro lugar, após a crise económica, as empresas mantêm-se focadas na redução de custos – particularmente na redução do CAPEX. Em segundo lugar, há uma maior apetência para utilização de modelos de consumo das TIC as-a-service de forma a reduzir a necessidade das organizações investirem na própria infra-estrutura. Por fim, acreditamos que o aparecimento das redes definidas por software (software defined networks – SDN) poderá levar as organizações a ‘esperar para ver’ antes de seleccionar e implementar uma nova tecnologia – factor que acreditamos se torne mais influente nos próximos 16 a 36 meses.

“Esperamos que o crescimento do cloud computing, a mobilidade e o número de ‘coisas’ conectadas colocará pressão adicional sobre a rede, e os clientes terão de repensar a sua arquitetura de rede, e não dispositivos específicos” explica Tecala.
Observando os dados numa perspectiva regional, as Américas, Ásia-Pacifico e Europa apresentam aumentos relevantes no percentual de dispositivos obsoletos e antigos, enquanto a Austrália e Médio Oriente & África (MEA) parecem ter melhorado ligeiramente em relação ao ano passado. “Grande parte dos aumentos podem ser explicados pela macroeconomia. Gastos de infraestrutura de rede estão muitas vezes ligados a condições económicas locais: diminui em períodos de contração e acelera durante períodos de crescimento.
“No ano passado, a Austrália e MEA apresentaram percentuais mais elevados (mais de 50%) de dispositivos antigos e obsoletos em comparação com as Américas (37%). Europa (41%) e Ásia-Pacifico (44%). Esta tendência reflecte a desaceleração da economia na MEA e Austrália. Enquanto isso, a crise económica na Asia-Pacifico inflacionou a percentagem local de dispositivos antigos. As Américas continuaram no seu crescimento constante, o que resultou num percentual maior de dispositivos antigos, embora não tão elevado como noutras regiões”, acrescenta Tecala.
Outras estatísticas relevantes sobre as redes obsoletas e antigas no Network Barometer Report incluem:
- Três sectores apresentam grandes aumentos: serviços financeiros (+13%); governo, saúde, e educação (+11%) e prestadores de serviços de telecomunicações (+33%). Nos serviços financeiros; no governo, saúde e educação, o aumento no percentual dos dispositivos antigos e obsoletos sustenta a opinião da Dimension Data, de que a crise financeira global dos últimos anos teve efeitos que se prolongaram até hoje. O resultado é a tendência na utilização dos equipamentos de rede por mais tempo nesses sectores, devido à falta de fundos para a actualização da tecnologia quando não é vista como critica.
- No mercado dos fornecedores de serviços de telecomunicações, os ativos obsoletos podem ser devido a vários factores. Os prestadores de serviços e empresas de comunicações são tipicamente organizações sólidas, com pessoal operacional qualificado, e processos de suporte cautelosos para gerir as infra-estruturas de rede. Essas organizações podem assim, assumir o risco na manutenção de redes antigas.
Os fornecedores de serviços também prolongam o ciclo de vida dos equipamentos implementados nas instalações dos clientes. Em muitos casos, este equipamento serve principalmente como ponto de demarcação, ou como ‘unidade de terminação de rede’ para a conectividade de rede fornecida pelo fornecedor. Assim, o prestador de serviços pode não necessitar de funcionalidades avançadas dos dispositivos mais recentes, o que seria a principal motivação para a atualização ou modernização do equipamento.
“No geral, apercebemo-nos de que as empresas estão cada vez mais economicistas na sua aproximação, e mais dispostas a arriscar e ficar com o equipamento antigo – evitando investimentos a todo o custo. Em termos gerais, não existe nada de errado com as organizações que utilizam os seus equipamentos pelo maior tempo possível, sujeitas a normas empresariais e políticas de conformidade, bem como projetos de arquitetura para endereçar os requisitos de negócio.
“O mais importante que as organizações podem fazer de modo a garantir que as suas redes são capazes de suportar o negócio, é investir em ferramentas e processos de suporte”, refere Tecala e aponta que a gestão da mudança e de incidências são particularmente relevantes.
“No entanto, é preferível que as necessidades do negócio conduzam a mudanças na arquitetura de rede, em vez da atualização tecnológica ser motivada por uma questão de obsolescência”, concluiu.
¹ dispositivos anunciados como estando em “end-of-sale”, mas ainda não em “end-of-support”, com suporte cada vez mais limitado pelo fornecedor
² dispositivos que se encontram em “end-of-support”. Estes dispositivos têm, no mínimo, cinco ou mais anos de idade
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